Informática na Escola

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A experimentação e a reflexão são fundamentais para uma aprendizagem de qualidade. Para além das responsabilidades programáticas impostas, a disciplina de TIC proporciona aos alunos o conhecimento de mecanismos e procedimentos contemporâneos do âmbito digital, úteis (para não repetir fundamentais) para o quotidiano que já é (inevitavelmente) digital. É esta “revolução” aliás que mais tem influenciado e transformado a sociedade civil, moldando os hábitos dos mais jovens com grande facilidade – recorde-se o surgimento de tendências como as selfies, o Pokemon Go, os drones, etc. Ora, é dever da Escola (Pública) preparar o aluno para lidar com o futuro dando-lhe a conhecer o presente e o mundo que o rodeia. A Escola tem uma dificuldade enorme em conseguir competir com o aumento das solicitações tecnológicas dos jovens. Curiosamente, nos últimos anos até se tem caminhado em sentido contrário, como se de uma fase de negação se tratasse. Os alunos da escola perderam mais de metade do tempo de contacto em contexto educativo formal com as tecnologias nos passados 10 (dez) anos, quando nunca antes houve tanta tecnologia nas mãos destas crianças e jovens, literalmente.

Então, a Escola prepara para o futuro?

O ritmo das já referidas transformações é de tal forma elevado que não é possível prever as atividades profissionais a tão longo prazo como no passado. Mas é da responsabilidade dos educadores, professores e formadores das crianças e dos jovens dotá-los não só das respostas necessárias e adequadas aos desafios atuais, mas também de treino mental | raciocínio com o mesmo fim. Há recursos humanos e técnicos, mas falta a decisão superior. Atualmente apenas os alunos dos 7º (sétimo) e 8º (oitavo) anos (e alguns do primeiro ciclo) têm formação formal na área das TIC, quando praticamente todas as crianças e jovens do país utilizam quase constantemente estas tecnologias.

É quase como aprender a conduzir por meios próprios – vão-se descobrindo os mecanismos; o que poderá correr mal?
E a qualidade (solidez) das aprendizagens?

Este ensino das TIC praticamente residual, é comparável à aprendizagem de condução automóvel por meios próprios – vão-se descobrindo os mecanismos; o que poderá correr mal? Mesmo assim, os alunos do 7º (sétimo) e 8º (oitavo) anos apenas têm 45 (quarenta e cinco) minutos semanais para conhecer um pouco deste universo. Têm os professores e a Escola de preparar os alunos para a vida: para a vida atual e para a vida futura. A Escola pode rever e melhorar a qualidade da sua resposta educativa às exigências da vida atual e agir como já outras escolas nacionais agiram. Nunca se conheceram ou mediatizaram tantos relatos de dramas e problemas diretamente relacionados com as TIC como atualmente: interrupções graves de serviços; agressões verbais e psicológicas; risco de vida. E, no entanto, à disciplina de TIC atribui-se menos de 3% (três por cento) do tempo de formação de 40% (quarenta por cento) dos seus alunos a este tema. Ou seja, menos de 1,2% (um vírgula dois por cento) do tempo global dos alunos do 2º (segundo) e do 3º (terceiro) ciclo é dedicado às TIC.

O CNE reconhece a extrema importância das TIC

Mais recentemente, via Parecer nº 4/2017, o Conselho Nacional de Educação (CNE) referiu explicitamente que “as aptidões e conhecimentos considerados fundamentais para o século XXI nos países-membros da OCDE, de acordo com o trabalho 21st Century skills and competences for new millennium learners in OECD countries, são variadas e incluem, entre outras, criatividade/inovação, pensamento crítico, resolução de problemas, tomada de decisão, comunicação, colaboração, literacia no uso e acesso à informação, investigação e pesquisa, literacia mediática, cidadania digital, operações e conceitos em TIC, flexibilidade e adaptabilidade, iniciativa e auto-orientação, produtividade, e liderança e responsabilidade”. De destacar que das 14 (catorze) aptidões, 6 (seis) estão diretamente relacionadas com as TIC enquanto é possível encontrar relação indireta com outras 2 (duas) destas aptidões. Implicita e explicitamente, o CNE reconhece a extrema importância das TIC no quotidiano e, sobretudo, na formação dos jovens.

Analisando bem o quotidiano das “sociedades desenvolvidas” do mundo atual, a disciplina de TIC pode-se até desmultiplicar em várias disciplinas: sociedade digital; aplicações; equipamentos; etc. Mais: esta(s) disciplina(s) deveria ser planeada | programada pela Escola (professores e pais) em coordenação com a respetiva autarquia e empresas da região, tendo como base de trabalho um “programa ministerial | oficial” – revisto e ajustado regularmente, por e pela Escola.

 

Portanto, há que fazer mais e melhor pelo presente e pelo amanhã dos nossos alunos, futuros cidadãos ativos do país e do mundo.

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